Análise Hertzberger

AIA 2021/1 - Aula de 26/08/2021

Em aula, foram formados 8 grupos para análise do Hipercentro de BH a partir dos conceitos do livro "Lições de Arquitetura", de Herman Hertzberger. Por morar em Belo Horizonte e já conhecer o Centro da cidade, fui uma das "cabeças-de-chave".

Partindo do mapa de referência (https://www.google.com/maps/d/edit?mid=17ep6Bn1xIgYawa-5IzTfFVgT0UVRj1GL&usp=sharing), os grupos deveriam eleger um trajeto entre dois pontos (algumas sugestões de trajeto foram fornecidas: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1qFmV0pQTrAYD0Gqg1p-3nObpNSc4PoigvGtaviQ5lmQ/edit#gid=1931279644).

Meu grupo (o grupo 2, formado por mim, Hilder, Maria Eugênia, Mateus e Sara) selecionou o percurso que abrangia os seguintes pontos assinalados no mapa: 

  • 01 - Praça 7
  • 04 - Calçadão Rua Rio de Janeiro - Norte
  • 15 - Centro Cultural UFMG
  • 14 - 104
  • 17 - Funarte / Passagem

Cada grupo deveria preparar apresentação para a próxima aula, com duração máxima de 10 minutos. Deveríamos colher informações/imagens através do Street View (ou pessoalmente), a partir dos conceitos apontados pelo Hertzberger, segundo a proposta de roteiro para análise fornecida (https://docs.google.com/document/d/1-ldI8Vdu0hAFTV0FnJu5Jh_XNZpfQIeqvDDBkbaFAv8/edit)

Na divisão, coube a mim falar, durante a apresentação, sobre os conceitos de funcionalidade, flexibilidade e polivalência:

Hertzberger afirma ser a forma, na arquitetura funcionalista, expressão de eficiência. Para a arquitetura funcionalista, o uso, a finalidade, a função determinam o projeto, a forma - arquitetônica ou urbanística. Contudo, a extrema especificação de requisitos e dos tipos de utilidade gerou fragmentação, segregação espacial. Especificamente quanto ao urbanismo funcional, o autor afirma que “o pensamento sobre soluções para os problemas arquitetônicos foi prejudicado pela segregação de funções, que acabou prevalecendo sobre a integração. A rápida obsolescência de soluções demasiadamente específicas conduz não só à disfuncionalidade como também a uma grave falta de eficiência” (p. 146). Esse processo ocorreu no Centro de Belo Horizonte. Na Praça Sete, verificava-se a aglomeração (uso intensivo dos terrenos na área central, por meio da verticalização, acentuando o caráter comercial e de serviços) e certa tendência à especialização em atividades bancárias. Em 1976, a Lei de Uso do Solo estabeleceu normas rígidas e um zoneamento específico para cada ponto do território, com a diferenciação de zonas residenciais e zonas comerciais, estas, localizadas especialmente no centro. A necessidade de reorganização dos usos e a baixa capacidade de adaptação da estrutura urbana a essa reorganização acelerada resultou na obsolescência do centro, sua degradação e abandono. Nas últimas décadas, foram realizadas intervenções urbanas, capitaneadas pelos órgãos governamentais, com vistas à reabilitação da área central de BH.

Na imagem, podemos observar muitos edifícios com formas geométricas simples e fachadas lisas e sem decorações, características da arquitetura funcionalista.

Hertzberger traz, ainda, o conceito de flexibilidade: a neutralidade do projeto arquitetônico permitiria vários usos o que, em teoria, absorveria as mudanças e reorganizações que se fizessem necessárias ao longo do tempo. Entretanto, ao significar “a negação absoluta de um ponto de vista fixo, definido” (p. 146), a flexibilidade representaria, para o autor, “o conjunto de todas as soluções inadequadas para um problema”, na medida que “não pode ser nunca a melhor e mais adequada solução para nenhum problema” (p. 146).

Hertzberger defende, então, que “a única abordagem construtiva para uma situação que está sujeita a mudança é uma forma que parte da própria mudança como fator permanente”: uma forma polivalente. A polivalência permitiria que uma forma se prestasse a diversos usos sem ter que sofrer mudanças, com “uma flexibilidade mínima que possa produzir uma solução ótima” (p. 147). Desse modo, a concepção de espaços (edifícios e cidade) não se guiaria pela atribuição de um objetivo predeterminado, mas para objetivos diferentes de maneiras diferentes, ampliando o potencial para a interpretação individual. Esses espaços teriam a capacidade de se adaptar à diversidade e à mudança e também conservar sua identidade.

Ainda nessa imagem, é possível divisar a obra “Deus é mãe”, executada a convite do Circuito Urbano de Arte (CURA) na fachada (empena cega) do edifício Itamaraty, localizado na Rua dos Tupis. É um exemplo de polivalência da arquitetura, uma vez que, ainda que os usuários tenham decidido dar à fachada um uso diferente do originalmente concebido no projeto arquitetônico, a arquitetura não foi perturbada a ponto de perder sua identidade.

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Aqui, no quarteirão fechado Maxacali (Rua Rio de Janeiro, da Praça Sete até a rua dos Tupinambás), há outro exemplo de arquitetura polivalente: as estruturas podem ser utilizadas como área de descanso, para que os usuários se sentem ou se deitem, e podem servir, ainda, como palco de manifestações artísticas e culturais.

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Na Rua Sapucaí, observamos a polivalência das vias públicas: tradicionalmente desenhadas para o trânsito de veículos automotores, com o fechamento de parte da pista de rolamento, podem transformar-se em “rua de lazer”, privilegiando a circulação de pedestres e ciclistas, ou mesmo em extensões dos bares, restaurantes e espaços culturais, possibilitando a convivência e diversão, notadamente em tempos de pandemia (embora a prática já ocorresse antes). Além disso, a rua, que já possuía vocação natural para mirante do centro de Belo Horizonte, foi transformada no primeiro mirante de arte urbana do mundo pelo Circuito Urbano de Arte (CURA). As muretas, construídas como guarda-corpo e isolamento do terreno da linha férrea, tornaram-se locais de descanso e contemplação.

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